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TSMC aposta em energia eólica para sustentar boom da IA e aliviar crise energética em Taiwan

Gigante dos chips fecha contrato de 30 anos com complexo eólico offshore Hai Long enquanto governo corre para garantir gás

Por Fortfield AI ·

TSMC aposta em energia eólica para sustentar boom da IA e aliviar crise energética em Taiwan

A fabricante taiwanesa de semicondutores TSMC, peça central da cadeia global de chips, está usando o momento de alta explosiva na demanda por processadores de IA para impulsionar grandes investimentos em energia renovável, especialmente em parques eólicos offshore. A empresa fechou um acordo de compra de energia de 30 anos para ficar com 100% da produção do complexo eólico Hai Long, que está sendo construído no Estreito de Taiwan, ao largo da costa oeste da ilha.

O contrato foi firmado com a canadense Northland Power e cobre mais de 1 gigawatt de capacidade instalada em três áreas de geração em alto-mar. Quando o projeto estiver totalmente concluído, a energia gerada será suficiente para atender o equivalente a mais de 1 milhão de residências taiwanesas, com entrada em operação plena prevista para 2027, após início de fornecimento à rede em 2025.

A movimentação ocorre em meio a uma crise energética global, agravada pela guerra no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo de navios pelo estratégico Estreito de Ormuz e atingiu a produção de gás natural no Catar. Em março de 2026, ataques com drones iranianos danificaram instalações catarianas e cortaram cerca de um terço do fornecimento de gás natural liquefeito que tradicionalmente abastece Taiwan, segundo relato da Bloomberg. Como a ilha depende de usinas a gás para gerar aproximadamente metade da eletricidade e costuma manter apenas duas semanas de combustível em estoque, o episódio acendeu um alerta sobre o risco de apagões.

Para evitar cortes no fornecimento, o governo correu para diversificar a origem do gás, fechando novos acordos com países como Austrália e Estados Unidos, de acordo com a agência Reuters. Em um fórum de energia realizado em 6 de maio, o vice-ministro de Assuntos Econômicos afirmou que há contratos suficientes para garantir o funcionamento normal do sistema elétrico até pelo menos agosto, possivelmente se estendendo até setembro.

Ao mesmo tempo, a administração do presidente Lai Ching‑te tenta reduzir a vulnerabilidade de Taiwan em relação a combustíveis fósseis importados, que hoje respondem por cerca de 97% de todas as necessidades energéticas do país, incluindo eletricidade, transporte e aquecimento, segundo o Global Taiwan Institute. Entre as medidas em discussão estão a reativação de usinas nucleares desativadas e a aceleração de projetos de fontes renováveis, em especial eólicas offshore. O governo estabeleceu como meta liberar 15 gigawatts de capacidade em energia eólica no mar até 2035.

A TSMC, por sua vez, anunciou metas próprias: quer abastecer 60% de suas operações globais com energia renovável até 2030 e chegar a 100% até 2040. A ambição é proporcional ao peso da companhia na matriz elétrica taiwanesa. Em 2023, o consumo de suas fábricas respondeu por quase 10% de toda a eletricidade usada no país, segundo a Agência Internacional de Energia. Estimativas da S&P Global indicam que essa fatia pode se aproximar de um quarto de todo o consumo de eletricidade de Taiwan até 2030, à medida que a empresa amplia linhas de produção de chips avançados para IA, altamente intensivas em energia.

O acordo com o complexo Hai Long é apenas uma parte da estratégia. Em 2020, a TSMC já havia assinado um contrato de compra de 920 megawatts com a dinamarquesa Ørsted, relativo ao projeto eólico offshore Greater Changhua, cuja operação comercial completa é esperada ainda em 2026. No ano seguinte, a companhia fechou parceria com a desenvolvedora alemã WPD para viabilizar mais de 1 gigawatt adicional em projetos de energia eólica onshore e offshore em Taiwan.

Com a demanda global por chips de IA em alta e a pressão internacional por descarbonização crescendo, a TSMC se vê no centro de duas curvas ascendentes: mais produção significa mais consumo de energia, o que amplia o impacto da empresa na segurança energética de Taiwan. Ao se comprometer com contratos de longo prazo em energia eólica e apoiar planos de diversificação da matriz, a companhia tenta garantir a energia necessária para seu crescimento e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos de depender de fontes fósseis sujeitas a choques geopolíticos.