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Startup Triomics recebe aporte de 22 milhões de dólares para levar IA especializada em oncologia a hospitais

Rodada série B liderada pela Battery Ventures vai financiar a expansão de uma plataforma que usa IA para resumir prontuários complexos

Por Fortfield AI ·

Startup Triomics recebe aporte de 22 milhões de dólares para levar IA especializada em oncologia a hospitais

A Triomics, startup focada em aplicar inteligência artificial ao tratamento oncológico, levantou 22 milhões de dólares em uma rodada de série B que mira a expansão de sua plataforma em hospitais e centros de câncer. A captação teve liderança da Battery Ventures e contou com a participação de investidores já existentes, incluindo Nexus Venture Partners, Lightspeed e Y Combinator.

Fundada em 2021, a empresa desenvolve um sistema que analisa prontuários médicos volumosos para apoiar oncologistas e equipes administrativas em tarefas intensivas de dados, como seleção de pacientes para ensaios clínicos e preparação de consultas. A Triomics já havia levantado 15 milhões de dólares em uma série A concluída em meados de 2024, e desde então ampliou o escopo de sua tecnologia conforme a capacidade dos modelos de linguagem evoluiu.

O avanço dos tratamentos contra o câncer tem aumentado a sobrevida dos pacientes e, como consequência, gerado históricos clínicos longos e fragmentados, muitas vezes com milhares de páginas. Esses arquivos misturam notas de evolução médica, laudos de imagem, relatórios de patologia e até documentos digitalizados, o que torna a revisão manual lenta e sujeita a falhas. A proposta da Triomics é transformar esse volume de informação em resumos estruturados e verificáveis que destacam os pontos mais relevantes para a decisão clínica.

Em vez de obrigar médicos a alternar entre diferentes sistemas, a plataforma integra esses resumos diretamente nas ferramentas que eles já utilizam no dia a dia. Segundo a empresa, a redução do tempo de preparo para cada consulta libera mais minutos para a conversa com o paciente, um ganho importante em oncologia, área em que os casos costumam ser complexos e a carga emocional e administrativa é elevada. Ao aliviar parte do trabalho burocrático, a Triomics aposta em contribuir também para mitigar o burnout entre profissionais de saúde.

Além do apoio à tomada de decisão, a tecnologia é usada para automatizar o envio de dados obrigatórios a registros governamentais de tumores, um processo exigido por lei de centros de câncer e historicamente manual. Esse tipo de tarefa, repetitiva e baseada em extração de dados, é visto pela startup como um campo ideal para aplicações de IA voltadas à eficiência operacional.

Enquanto agentes de IA genéricos já são capazes de produzir resumos básicos de textos médicos, a Triomics sustenta que seu diferencial está no treinamento específico em oncologia. Instituições de referência como Memorial Sloan Kettering e Yale Cancer Center utilizam o sistema, de acordo com a empresa, justamente por buscar modelos especializados em vez de soluções generalistas.

A companhia disputa espaço com ferramentas de registro automático de consultas, como Abridge e Nuance, da Microsoft, que usam inteligência artificial para transcrever e estruturar conversas entre médico e paciente. No entanto, a Triomics se posiciona mais fortemente na síntese de prontuários completos e na automação de fluxos administrativos, o que amplia seu campo de atuação dentro dos centros de câncer.

Mesmo em um cenário de competição acirrada em saúde digital, a startup reporta crescimento acelerado. Segundo o cofundador Sarim Khan, a base de clientes corporativos aumentou quatro vezes no último ano, o que impulsionou um salto de dez vezes na receita anual recorrente da empresa. O novo aporte deve ser usado para acelerar a expansão comercial e o desenvolvimento de funcionalidades adicionais voltadas a fluxos clínicos ainda não cobertos pela plataforma atual.