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Reino Unido obriga Google a dar opção para sites saírem da busca com IA
Nova regra força o Google a criar um controle para que editores decidam se seus conteúdos podem aparecer ou não nos recursos de busca generativa com IA
Por Fortfield AI ·
O avanço da busca com inteligência artificial do Google acaba de ganhar limites importantes no Reino Unido. A empresa anunciou que vai cumprir determinações de reguladores britânicos e oferecer aos donos de sites uma forma oficial de impedir que seus conteúdos sejam usados nos recursos de busca generativa, como os resumos automáticos de resultados.
Esse controle vai aparecer no Search Console, a ferramenta gratuita do Google que permite que administradores monitorem e gerenciem a presença de seus sites nos resultados de busca. A partir desse painel, será possível ativar uma opção para tirar o conteúdo das respostas geradas por IA.
Quando o editor optar pela saída, o site deixa de aparecer em funcionalidades como AI Overviews, o modo de IA da busca e as respostas geradas com IA no Discover. Mesmo assim, o Google faz questão de destacar que esses recursos já alcançam bilhões de usuários ativos por mês, o que indica a pressão comercial e de audiência em jogo para quem decidir bloquear a exposição.
Inicialmente, a novidade será testada com um grupo de publicadores no Reino Unido e, depois, será liberada para o restante do mundo. A medida nasce de um acordo com a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA), que classificou o movimento como inédito por devolver aos veículos uma parcela de controle sobre o uso de seus conteúdos em produtos de IA.
Para o órgão regulador, a exigência cria uma base mais forte para que empresas de mídia, incluindo veículos de notícias, negociem diretamente com o Google eventuais licenças de uso de seus textos em funcionalidades de IA, em vez de simplesmente verem seus conteúdos agregados sem escolha. Em 2023, a CMA já havia dado ao Google o status de “posição de mercado estratégica”, abrindo caminho para intervenções mais duras.
Em janeiro deste ano, o regulador pressionou a gigante de tecnologia a garantir que donos de sites pudessem decidir separadamente se o material seria utilizado em ferramentas de busca com IA ou no treinamento de modelos de inteligência artificial. Agora, a implementação desse controle começa pela camada de exibição nas respostas generativas da busca.
Além do botão de saída, o Google também passa a ser obrigado a deixar mais claro quando o conteúdo de um site é usado em recursos de IA, com links visíveis e atribuição explícita. A empresa diz já ter ampliado a quantidade de links inseridos diretamente dentro das respostas e acrescentado prévias de sites para incentivar o clique e a navegação até a fonte original.
O Google afirma que a decisão de um site de não participar das funcionalidades de IA não será usada como fator de ranqueamento na busca tradicional. Em teoria, isso significa que a posição de um resultado orgânico na lista clássica de links não deve ser afetada pelo fato de o editor ter optado por ficar fora das respostas geradas por IA.
Ao mesmo tempo, a companhia vai aproveitar o Search Console para tentar convencer os editores a permanecerem na experiência de IA, oferecendo novos relatórios. Entre as métricas prometidas estão dados de impressões, páginas do site que mais aparecem nas respostas com IA e a distribuição por país. O Google afirma que esses indicadores serão ampliados com o tempo, o que reforça a disputa entre manter alcance via IA ou priorizar controle sobre o uso do conteúdo.