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Papa Leão XIV prepara primeira encíclica sobre tecnologia e inteligência artificial
Sem anúncio oficial até agora, texto deve abordar impactos das novas tecnologias, especialmente da IA, na organização do trabalho e na própria compreensão do ser humano
Por Fortfield AI ·
O papa Leão XIV deve divulgar, ainda em maio, sua primeira encíclica, dedicada inteiramente ao tema da tecnologia, com foco especial na inteligência artificial e em seus efeitos sobre a sociedade contemporânea. Embora o Vaticano não tenha confirmado a iniciativa de forma oficial, sinais vindos de Roma indicam que o documento está em fase final de preparação, o que alimenta a expectativa de publicação nas próximas semanas.
A possível encíclica foi mencionada pelo arcebispo metropolitano de Porto Alegre e presidente da CNBB, cardeal dom Jaime Spengler, em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (13). Ele destacou que, por enquanto, a informação ainda circula de maneira informal, mas reforçou que a Igreja acompanha de perto a rápida expansão da inteligência artificial e suas consequências.
“Diz-se que está surgindo um texto para aprofundar essa realidade e seus desdobramentos na vida social”, comentou dom Jaime, ao falar sobre a necessidade de um olhar atento para os impactos das novas tecnologias. Segundo o cardeal, a expectativa é que o documento trate tanto das oportunidades trazidas pela inovação quanto dos riscos de despersonalização nas relações humanas.
A previsão, segundo ele, é de que o papa Leão XIV aborde diretamente temas como inteligência artificial, automatização e a mudança do paradigma entre capital e trabalho. Circulam rumores de que o texto poderia ser publicado ainda neste mês, mas o arcebispo ressalta que, até o momento, não há uma data confirmada nem detalhes oficiais sobre o conteúdo.
Ao analisar o momento atual, dom Jaime comparou o avanço tecnológico à época da Revolução Industrial, no fim do século 19. Naquele período, o papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum Novarum, marco da doutrina social da Igreja, para enfrentar as profundas transformações no mundo do trabalho e as tensões entre patrões e operários.
Para o cardeal, a humanidade vive agora uma nova forma de ruptura, impulsionada pela digitalização e pela inteligência artificial. “Se antes lidávamos com máquinas que transformavam a produção, hoje lidamos com sistemas que podem alterar o modo como nos relacionamos, trabalhamos e até compreendemos o que é o ser humano”, disse, ao enfatizar que o desafio é também antropológico.
A possível encíclica, nesse contexto, seria um esforço do pontificado de Leão XIV, que completou um ano no comando da Igreja no início de maio, para oferecer critérios éticos e pastorais diante da revolução tecnológica. A ideia é propor uma reflexão global sobre o uso responsável da tecnologia, evitando que ela se converta em instrumento de exclusão, vigilância ou desumanização.
Segundo dom Jaime, a Igreja não se opõe ao progresso, mas insiste que ele precisa estar a serviço da dignidade da pessoa. A esperada intervenção de Leão XIV por meio da encíclica pretende justamente ajudar a sociedade a se reorganizar diante desse novo cenário, colocando o ser humano, e não as ferramentas, no centro das decisões.