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Meta começa a desfazer compra de US$ 2 bi da Manus após pressão de Pequim

Separação operacional, bloqueio de dados e planos de recompra da startup mostram como a China quer manter tecnologias de IA sob seu controle

Por Fortfield AI ·

Meta começa a desfazer compra de US$ 2 bi da Manus após pressão de Pequim

A Meta iniciou o desmonte da aquisição de US$ 2 bilhões da Manus, promovendo uma separação operacional da startup de IA de origem chinesa e interrompendo o compartilhamento de dados entre as duas empresas. O movimento atende à ordem de desinvestimento emitida por autoridades de Pequim há cerca de dois meses, em um processo justificado por preocupações de segurança nacional.

Segundo a Bloomberg, a Manus foi desconectada dos sistemas internos da Meta, o que impede que funcionários da big tech continuem usando as ferramentas da startup em projetos internos. As duas companhias caminham agora para uma ruptura completa, que deve incluir a reversão formal da operação anunciada no fim de 2025.

Enquanto a Meta se afasta, os cofundadores da Manus já discutem com investidores a captação de aproximadamente US$ 1 bilhão para recomprar o negócio. A ideia seria estruturar a empresa em um modelo de joint venture na China e buscar, em seguida, uma abertura de capital em Hong Kong, mercado que vem recebendo uma onda de listagens de startups de IA, como MiniMax e Zhipu.

O que seria um caso emblemático de saída bilionária para uma startup chinesa de IA está se desfazendo rapidamente. A mudança de rumo reforça o recado de Pequim de que tecnologias consideradas sensíveis permanecerão sob sua esfera de influência, independentemente de estruturas societárias no exterior.

Paralelamente ao veto ao negócio, o governo chinês ampliou restrições de viagem para pesquisadores e executivos de empresas privadas de tecnologia, que agora precisam de aprovação oficial para viajar ao exterior. Pequim também aperta o controle sobre o capital estrangeiro no setor, exigindo aval estatal para que grandes nomes da IA, como Moonshot AI, StepFun e ByteDance, recebam investimento de empresas dos Estados Unidos.

Mesmo em meio à incerteza, a Manus continua lançando recursos e integrações com plataformas como Similarweb e Shopify, em uma tentativa de manter o ritmo de produto e mostrar resiliência ao mercado. A startup, que ganhou notoriedade com a demonstração viral de seu agente de IA, realocou sua equipe para Singapura em meados de 2025, antes do anúncio da venda para a Meta em dezembro do mesmo ano.

Investidores da Manus já começaram a sentir os efeitos dessa reviravolta. Fundos norte-americanos, como a Benchmark, teriam recebido os recursos da venda, enquanto acionistas asiáticos, incluindo Tencent, HSG e ZhenFund, sinalizaram disposição em colaborar com o processo de desfazer o acordo.

As origens chinesas da Manus, ligada à controladora Butterfly Effect, colocaram a startup sob escrutínio tanto na China quanto nos Estados Unidos. Nos EUA, o senador John Cornyn chegou a questionar publicamente se fazia sentido permitir o fluxo de capital americano para uma empresa com vínculos chineses em um campo tão sensível quanto a inteligência artificial.

Até o momento, Meta e Manus não comentaram publicamente os próximos passos da negociação nem o cronograma previsto para a conclusão da separação. A indefinição mantém em aberto o futuro da parceria e ilustra como disputas geopolíticas passaram a ditar o rumo de grandes transações no setor de IA.