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McKinsey muda modelo de pagamento a sócios para reforçar caixa após avanço da IA
Consultoria global aumenta parcela em ações no lucro dos sócios, favorece novos parceiros e busca se proteger da volatilidade de projetos atrelados a resultados em meio à pressão da IA
Por Fortfield AI ·
A McKinsey & Company está reformulando a forma como distribui seus lucros aos sócios para reduzir a dependência de pagamentos em dinheiro e fortalecer sua base de capital, em resposta às mudanças trazidas pela inteligência artificial no mercado de consultoria. A firma informou aos partners que uma fatia maior de sua remuneração variável passará a ser paga em participação societária, o que amplia a reserva financeira da empresa e pode significar impacto de dezenas de milhares de dólares na remuneração anual de alguns sócios.
O redesenho do modelo faz parte de um programa interno conhecido como Project Acorn, criado para simplificar o sistema de compensação, dar mais previsibilidade ao caixa e proteger a McKinsey das oscilações de projetos com pagamento atrelado a desempenho. A reestruturação também tem como objetivo tornar a firma mais atrativa para novos sócios ao antecipar parte de valores que antes eram diferidos por vários anos.
Nos últimos anos, clientes de consultoria têm pressionado para que honorários sejam cada vez mais vinculados a metas de economia de custos ou de ganho de performance entregues pelos projetos. Esse movimento ganhou força com o avanço da inteligência artificial, que começa a automatizar tarefas tradicionalmente executadas por consultores juniores, antes cobradas por hora.
Nessa nova lógica, as consultorias podem levar anos para receber integralmente por um trabalho e correm o risco de ver a remuneração reduzida se metas não forem atingidas, o que torna o fluxo de caixa mais volátil e menos previsível. Para contornar a desconfiança de alguns clientes sobre o valor agregado de seus serviços, firmas como a McKinsey vêm adotando modelos de precificação orientados a resultados.
A remuneração dos sócios da McKinsey combina salário fixo, bônus de desempenho e uma parcela anual de participação nos lucros conhecida internamente como prêmio adicional, que pode chegar a milhões de dólares para os partners mais seniores. Até agora, apenas uma pequena parte desse prêmio era retida em forma de equity, proporção que aumentava com a senioridade, enquanto a maior parte sempre foi distribuída em dinheiro.
Com o Project Acorn, a estimativa é que a participação em ações dentro desse prêmio adicional aumente em torno de três a cinco pontos percentuais, dependendo das necessidades de capital em cada ano. Na prática, um sócio que antes recebia aproximadamente noventa e cinco por cento do prêmio extra em dinheiro pode passar a receber algo como noventa por cento, com o restante convertido em participação no capital da firma.
A revisão levou mais de dois anos de debates internos e sucede uma tentativa anterior, chamada Project Oak, que buscava extrair mais capital dos sócios mais experientes. Agora, a fatia de equity na remuneração dos partners seniores terá um limite, numa tentativa de equilibrar as exigências de capital da empresa com a atratividade financeira para esse grupo.
Fontes próximas às discussões afirmam que o princípio central de como os sócios ganham dinheiro foi mantido, mas o calendário de pagamentos foi ajustado para dar mais segurança à firma e mais clareza aos partners. A percepção interna predominante é que o novo desenho substitui um sistema complexo de múltiplos anos por um mecanismo mais simples e, em muitos casos, mais favorável aos sócios por permitir acesso antecipado a parte da remuneração.
Os maiores beneficiados são os novos partners, que deixarão de esperar longos períodos para receber integralmente valores atrelados a projetos baseados em resultados, algo visto como possível desvantagem competitiva da McKinsey na disputa por talentos. Ao mesmo tempo, a empresa ganha mais flexibilidade para ajustar a compensação e liberar recursos para investir em tecnologia, especialmente em iniciativas ligadas à inteligência artificial.
Historicamente, a McKinsey preferiu formar parcerias com empresas de tecnologia e de IA em vez de desenvolver ou comprar soluções próprias em grande escala. Pessoas a par das discussões indicam que essa estratégia pode mudar à medida que o novo modelo de capital e remuneração der mais margem para investimentos diretos em tecnologia.
Questionada, a McKinsey afirmou que, por ser uma empresa privada, não divulga detalhes sobre a remuneração de sócios, mas reforçou que continua aprimorando sua forma de atrair, desenvolver, engajar e reter talentos de alto nível no mundo todo.