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Infraestrutura digital vira peça-chave em estratégia do governo para avançar em IA
Ministro das Comunicações defende que a discussão sobre IA comece pela expansão de redes, data centers e conectividade em todo o país
Por Fortfield AI ·
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, reforçou nesta terça-feira, 5, que o avanço da inteligência artificial no Brasil passa, antes de tudo, por uma infraestrutura digital robusta e de alcance nacional. Em participação no Qualcomm Innovation Summit Brazil 2026, em São Paulo, ele defendeu que o debate público sobre IA considere, como ponto de partida, as bases técnicas que permitem o funcionamento dessas aplicações, como redes móveis de alta velocidade, capacidade de processamento e segurança de dados.
Segundo o ministro, tecnologias de IA dependem diretamente de um ecossistema formado por profissionais qualificados, pesquisa, grandes volumes de dados e poder computacional distribuído. Para que isso se traduza em serviços e soluções concretas, argumentou, é indispensável contar com um sistema de telecomunicações sólido, com baixa latência, alta capacidade e conectividade disponível em diferentes regiões do país.
Ao detalhar a agenda do governo, Siqueira Filho destacou iniciativas voltadas à expansão da infraestrutura digital e ao estímulo de novas tecnologias, como a disseminação do 5G, a implantação de data centers e o fortalecimento de projetos em inteligência artificial. De acordo com ele, uma das prioridades é reduzir o número de brasileiros desconectados e ampliar a capacidade de armazenamento e processamento de dados em território nacional.
Entre os projetos citados está o investimento de 1,3 bilhão de reais em infovias subfluviais na região amazônica, com foco em atender dezenas de localidades ribeirinhas hoje com acesso limitado ou precário à internet. O plano inclui ainda apoio a provedores regionais, por meio de recursos do Fundo Nacional de Telecomunicações (Funtel) e do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), para impulsionar iniciativas de inovação e desenvolvimento econômico.
O ministro também mencionou o avanço da conectividade em escolas, afirmando que mais de 100 mil unidades de ensino já contam com rede interna e infraestrutura de Wi‑Fi dentro do esforço nacional de inclusão digital. A estratégia busca conectar estudantes e professores a ferramentas digitais, criando condições para o uso educacional de tecnologias emergentes, inclusive soluções baseadas em IA.
No campo da mobilidade, Siqueira Filho lembrou que a expansão da rede inclui a cobertura de rodovias federais, citando leilões recentes que preveem mais de 6,5 mil quilômetros de trechos com novas obrigações de conectividade. Paralelamente, o governo tem direcionado recursos para levar o 4G a cerca de 2,8 mil localidades que ainda não contavam com qualquer tipo de sinal móvel, o que deve abrir espaço para novos serviços digitais nessas regiões.
Outro eixo apontado pelo ministro é a criação de um ambiente regulatório que ofereça segurança jurídica e incentivos para a instalação de data centers no país. Nesse contexto, ele citou o projeto de lei REDATA, que prevê benefícios fiscais para empresas que decidirem investir em infraestrutura de processamento e armazenamento de dados no Brasil, movimento visto como estratégico para sustentar a futura demanda de aplicações de inteligência artificial.