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Google COSMO vaza na Play Store e revela assistente de IA proativo com Gemini Nano antes do I/O 2026
Aplicativo experimental apareceu por menos de uma hora na Play Store em 1º de maio, exibindo um agente que lê o contexto do Android via AccessibilityService
Por Fortfield AI ·
O Google deixou escapar, por engano, um dos anúncios mais aguardados para o I/O 2026: o COSMO, um novo assistente de IA proativo para Android. O aplicativo apareceu publicamente na Play Store em 1º de maio de 2026, por cerca de 47 minutos, tempo suficiente para jornalistas baixarem o APK, analisarem as telas e registrarem o funcionamento do sistema antes de ele ser removido. Tudo indica que o COSMO será apresentado oficialmente na keynote do evento em 19 de maio, como uma peça central da estratégia de agentes inteligentes da empresa.
Ao contrário do app Gemini convencional, que depende de comandos e perguntas explícitas, o COSMO foi projetado para agir por conta própria. Ele usa a API de AccessibilityService do Android para “enxergar” o que está na tela, entender o contexto em qualquer aplicativo e sugerir ações diretamente, sem que o usuário precise abrir um chat. O pacote, assinado pelo Google Research com o nome com.google.research.air.cosmo, pesa cerca de 1,13 GB, em grande parte devido à inclusão do modelo Gemini Nano para execução local, sem necessidade constante de conexão.
O aplicativo é organizado em torno de um sistema de 14 skills, cada uma responsável por um tipo de tarefa recorrente no uso diário do smartphone. Entre elas estão funções como List Tracker, que detecta listas em mensagens e notas e oferece salvá‑las no Google Keep, Document Writer, que se propõe a redigir textos quando percebe que o usuário está falando em “escrever uma carta” ou “fazer um resumo”, e Calendar Event Suggester, que lê datas e horários em conversas e sugere criar eventos na agenda. Há ainda um Browser Agent baseado no framework Project Mariner, um Deep Research para investigações complexas multi‑fonte, um Quick Photo Lookup para buscar fotos específicas na galeria e recursos de memória de longo prazo similares ao Recall do Copilot+, porém com foco em processamento on‑device.
Na prática, cada skill se conecta a um aplicativo ou fluxo que hoje exige abrir apps separados — Keep para listas, Docs para rascunhos, Calendar para eventos, Fotos para imagens. A proposta do COSMO é colocar um agente acima do sistema operacional, capaz de orquestrar esses apps via APIs padrão do Android, reduzindo o “vai e vem” entre ícones e telas. O usuário pode desligar individualmente cada skill, mantendo um controle fino sobre que tipo de automação deseja permitir em segundo plano.
Um dos pontos técnicos mais importantes do vazamento é o sistema de Fulfillment Models, que define onde o modelo de IA roda: no servidor, no dispositivo ou em modo combinado. São três opções: Hybrid, PI Only e Nano Only. No modo Hybrid, selecionado como padrão, o COSMO usa um backend denominado “PI” quando o dispositivo está online e recorre ao Gemini Nano local na falta de conexão, buscando equilibrar qualidade de resposta, latência e privacidade. No modo PI Only, todo o processamento é feito na nuvem, com foco em respostas mais sofisticadas, mas sacrificando o funcionamento offline e ampliando a dependência de data centers. Já o modo Nano Only executa tudo no aparelho com o Gemini Nano 3, introduzido com o Android 17, priorizando a privacidade e a disponibilidade mesmo sem internet, ao custo de abrir mão de recursos como Deep Research e pesquisa na web.
A adoção intensiva do AccessibilityService levanta, naturalmente, questões de privacidade e segurança. Como o COSMO precisa ler o conteúdo da tela para ser proativo, ainda não está claro quais dados ficam estritamente no dispositivo e quais podem ser enviados ao backend PI no modo Hybrid. Também permanece em aberto como o assistente irá se comportar diante de aplicativos sensíveis, como apps bancários, de saúde ou mensageiros focados em criptografia, dado que o Google ainda não publicou uma política de privacidade específica ou um white paper técnico sobre o produto.
No ecossistema de produtos do Google, o COSMO se posiciona ao lado do Gemini Live e do Project Astra, mas com um papel distinto. O Gemini Live continua como a interface de conversa multimodal que o usuário aciona explicitamente, enquanto o Project Astra, previsto em preview para o I/O 2026, funciona como um modelo “everyday” voltado a dispositivos como óculos inteligentes e experiências de busca conversacional. O COSMO, por sua vez, é o executante local que faz a ponte entre essa inteligência na nuvem e o sistema Android, operando em segundo plano e disparando ações proativas sempre que encontra uma oportunidade relevante na tela do usuário.
Do ponto de vista de mercado, o vazamento sinaliza que o Google está entrando de forma mais agressiva na disputa pelos agentes proativos, pressionando concorrentes como Apple e Microsoft. A Apple vem prometendo uma Siri renovada dentro da iniciativa Apple Intelligence, mas patina em prazos e amplitude de recursos, enquanto a Microsoft teve de recuar em partes do Recall depois de críticas duras à privacidade. Para desenvolvedores, o COSMO acena com um novo tipo de “otimização para agentes”: aplicativos que quiserem ser acionados pelo assistente terão de expor intents e APIs de forma clara, aproximando o trabalho de algo semelhante a um “SEO para IA” mencionado em outros frameworks apresentados pelo Google.
Na build vazada, o aplicativo parece focado em inglês e em dispositivos Pixel mais recentes, com relatos de funcionamento em Pixel 9 e Pixel 10 com Android 15 ou superior, e disponibilidade limitada a algumas regiões. A expectativa é que, após o anúncio oficial, o Google detalhe o cronograma de expansão de idiomas e mercados, com português incluído nas primeiras ondas de rollout entre o fim de 2026 e o início de 2027, alinhando‑se ao roadmap multilíngue do Gemini.
Por enquanto, quem não baixou o app durante a janela de 47 minutos só encontra o COSMO em mirrors de APK, algo desaconselhado por exigir permissões sensíveis como acesso total à tela. O verdadeiro impacto do produto, porém, depende menos do vazamento e mais de como o Google vai comunicar a governança de dados e o equilíbrio entre IA local e em nuvem. Se a empresa conseguir explicar com clareza o que é processado pelo Gemini Nano e o que vai para o modelo PI, o COSMO pode se tornar o primeiro agente de IA proativo viável em escala global no Android; se falhar, corre o risco de repetir o desgaste visto no caso do Recall da Microsoft.