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Como a inteligência artificial acelera a carreira de brasileiros na Espanha

Vitor Diorranes, especialista em futebol e vendas internacionais, revela como dominar IA se tornou essencial para escalar negócios e superar barreiras no mercado europeu

Por Fortfield AI ·

Como a inteligência artificial acelera a carreira de brasileiros na Espanha

A trajetória de Vitor começou no Cruzeiro Esporte Clube, onde logo percebeu que seu futuro não seria nos gramados, mas no departamento internacional do clube. "Desde quando comecei minha carreira no Cruzeiro Esporte Clube, já sabia que não ia virar atleta profissional, mas sabia que não queria ficar longe do futebol", conta. A decisão de ir para a Espanha veio em um momento épico do futebol espanhol, com Mourinho no Real Madrid e Guardiola no Barcelona, quando foi o único brasileiro aprovado no intercâmbio para cursar Educação Física na Universidade de Granada.

Além da paixão pelo esporte, a escolha pela Espanha se justificou por fatores práticos: qualidade de vida, moeda forte, infraestrutura de transporte eficiente, proximidade linguística e localização geográfica privilegiada. "Hoje, vivendo em Barcelona, consigo visitar vários países em poucas horas, e isso não é só turismo, é formação contínua. Cada cultura que vivo me torna um profissional melhor", explica Vitor.

Credibilidade do zero em mercado competitivo

O maior desafio ao chegar à Espanha não foi o idioma, mas construir credibilidade. "Aqui ninguém sabe quem você é. Você chega com um histórico sólido, anos de experiência acumulada, e do outro lado do espelho, você é mais um", relata Vitor. A reputação construída no Brasil não atravessa o Atlântico automaticamente, e a questão se torna provar competência rapidamente em uma cultura diferente.

A diferença na valorização de habilidades digitais entre Brasil e Espanha é marcante. "Aqui, as habilidades digitais são o básico. Não é diferencial, é o mínimo esperado", afirma Vitor. Na rotina de conversas com pessoas do mundo inteiro, ser fluente no ambiente digital permite escalabilidade, velocidade e qualidade que definem o sucesso profissional.

O mercado de trabalho espanhol e a janela demográfica

O mercado de trabalho na Espanha apresenta uma particularidade que poucos brasileiros estão enxergando como oportunidade: o gap demográfico. A taxa de fertilidade do país caiu para 1,10 filhos por mulher em 2024, segunda mais baixa da União Europeia, atrás apenas de Malta. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida está entre as mais altas do mundo, criando uma escassez crítica de mão de obra.

"Existe um gap enorme no mercado de trabalho que o país precisa preencher, e o governo está agindo: criou uma lista oficial de profissões de difícil cobertura, e aprovou a regularização de mais de meio milhão de estrangeiros irregulares", explica Vitor. O processo extraordinário de regularização migratória aceita pedidos até junho de 2026, com expectativa de beneficiar aproximadamente 25 mil brasileiros.

Perfil profissional mais demandado

O perfil mais valorizado na Espanha é o que transita entre o analógico e o digital. "Profissional que sabe negociar, mas também sabe criar conteúdo. Que tem experiência real de campo e consegue traduzir isso em estratégia. Gente que não precisa de manual", descreve Vitor. As áreas com maior demanda incluem tecnologia da informação, construção, comércio eletrônico e setores de alta rotatividade como comércio e restauração.

A vantagem competitiva do brasileiro

Brasileiros possuem características que se destacam no mercado europeu quando bem canalizadas. "Sou muito fã do nosso povo, não tem igual, sendo bem honesto. Muitos de nós aprendemos desde cedo a nos adaptar, a nos virar, a encontrar solução onde outros enxergam só problema", afirma Vitor. Essa adaptabilidade e resiliência, quando unidas à organização e pragmatismo europeus, criam um diferencial competitivo significativo.

"Sabemos cativar, conectar, criar relação genuína. E quando isso é canalizado pra um negócio de verdade, com consistência e confiança, o mercado entende, e você começa a colher", complementa Vitor. A criatividade resolutiva brasileira, diferente do "jeitinho", representa uma capacidade de inovação que empresas europeias valorizam.

IA como multiplicador de capacidade

Vitor começou a usar IA intensamente quando percebeu que conseguiria alcançar resultados de forma mais inteligente, rápida e efetiva que antes exigiriam o trabalho de várias pessoas. "Hoje sou um dependente assumido de IA. Me ajuda na organização do dia, na preparação de reuniões, na criação de conteúdo, em pesquisas de mercado. É como ter um time invisível trabalhando junto comigo", revela.

Entre as ferramentas utilizadas, Claude é sua preferida. "Particularmente, sou fã do Claude. Já circulei por várias ferramentas, mas ele conquistou", conta Vitor. O uso vai além de automação básica: reuniões gravadas são processadas com prompts prontos que identificam próximos passos e capturam insights que antes se perderiam.

Impacto mensurável na produtividade

Os resultados são concretos: na Athlos, Vitor saiu do zero absoluto, sem departamento internacional existente, para mais de 1 milhão de euros faturados em menos de um ano, com equipe enxuta. "Tenho absoluta certeza de que a IA foi parte fundamental dessa escala. Não é exagero dizer que ela multiplicou nossa capacidade de execução de forma absurda", afirma.

O impacto indireto também é significativo. As reuniões processadas com IA permitem um nível de preparo que impressiona clientes: cada detalhe dito, cada objeção levantada, cada oportunidade identificada é registrada e recuperada. "Isso cria uma consistência de relacionamento que, no mundo das vendas internacionais, vale ouro", explica Vitor.

IA como acelerador de inserção profissional

Para brasileiros chegando à Espanha, dominar IA pode acelerar drasticamente a inserção profissional. "A IA compensa a barreira do idioma, amplia sua rede global, traz insights de mercado em segundos, potencializa seus projetos e escala cada ponto necessário", explica Vitor. Uma pesquisa que levaria dias é entregue em minutos com profundidade adequada.

As áreas onde a IA mais ajuda quem está começando incluem redes sociais e comunicação, seguidas por pesquisa de mercado e prospecção. "Buscar empresas, encontrar nomes de decisores, iniciar uma negociação de forma mais assertiva desde o primeiro contato. É você chegando preparado numa mesa onde antes chegaria às cegas", descreve Vitor.

A questão não é escolher entre conhecimento em IA ou experiência local, mas combinar ambos. "Experiência sem IA hoje é lenta. IA sem experiência é vazia. A combinação dos dois cria perfis insubstituíveis", afirma Vitor. O brasileiro que chega com trajetória real e domínio de IA possui uma proposta de valor que poucos profissionais locais oferecem atualmente.

Habilidades essenciais e barreiras superadas

As habilidades em IA mais recomendadas antes de se mudar incluem criação de conteúdo assistida, pesquisas aprofundadas e automação de tarefas repetitivas. "Não precisa ser técnico, precisa ser intencional. Aprender a se comunicar bem com a IA, saber o que pedir e como pedir, já coloca você na frente de 80% das pessoas", orienta Vitor.

A IA ajuda a contornar barreiras óbvias como idioma, mas também outras menos evidentes. "Tem uma barreira menos falada: os códigos culturais de comunicação. A IA te ajuda a calibrar o tom certo pra cada contexto, a entender o que é esperado numa comunicação profissional espanhola versus uma brasileira", explica Vitor. Isso economiza meses de adaptação dolorosa.

Se estivesse começando hoje, Vitor criaria conteúdo desde o primeiro dia. "Documentaria o processo: a mudança, os aprendizados, os bastidores. Usaria IA pra transformar experiência bruta em narrativa estruturada e consistente. Porque no fim, o que te posiciona não é só o que você sabe, é o que as pessoas sabem que você sabe", afirma.

Essa estratégia se materializa no Código Europa, projeto de posicionamento e internacionalização de carreira no mercado europeu com foco na Espanha. O projeto atua em duas frentes: dentro do esporte, conectando clubes e entidades a destinos para pré-temporadas e competições; e fora dele, ajudando brasileiros a migrarem de forma legal e estratégica.

"A IA foi fundamental nessa construção, desde a pesquisa de mercado até a produção de conteúdo com intenção. Sem ela, o projeto não teria a escala e a consistência que tem hoje. É a diferença entre falar pra poucos e alcançar quem realmente precisa ouvir", conclui Vitor.