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Clima de revolta expõe bastidores da nova unidade de IA da Meta
Funcionários realocados em massa para o time de IA Applied AI relatam trabalho repetitivo, pressão extrema e queda de moral
Por Fortfield AI ·

Relatos de dentro da Meta descrevem um ambiente cada vez mais tenso desde que a empresa passou a promover cortes sucessivos de funcionários para redirecionar bilhões de dólares aos seus projetos de inteligência artificial. A insatisfação agora se concentra na recém-criada área Applied AI, que reúne milhares de engenheiros e gerentes de produto encarregados de alimentar e apoiar as ambições da companhia em IA.
De acordo com uma reportagem recente da Wired, o clima chegou ao limite durante uma apresentação interna transmitida por livestream quando alguém invadiu a sessão com um desabafo carregado de xingamentos direcionados a um executivo sênior de IA. O episódio, que deixou palestrantes constrangidos diante dos colegas, é apontado como reflexo da frustração acumulada dentro do grupo criado há cerca de três meses.
Muitos dos atuais integrantes da Applied AI afirmam ter sido deslocados para a nova estrutura de forma abrupta, por meio de um e-mail surpresa, sem espaço real para recusa. Em discussões internas e em fóruns online, alguns se referem a si próprios como recrutados à força e descrevem o processo de movimentação como aleatório. Documentos obtidos pela imprensa indicam que a motivação oficial para a transferência foi a necessidade de expor os modelos da Meta a exemplos reais de como pessoas resolvem tarefas técnicas usando o computador, incluindo desafios de programação.
O trabalho que hoje ocupa esses profissionais é descrito como a criação em série de quebra-cabeças, problemas de lógica e exercícios de código para treinar os sistemas de IA da empresa. Em depoimentos anônimos à Wired, funcionários chamam a rotina de massacrante e afirmam que a maioria considera as tarefas esvaziadas de propósito. Segundo eles, a mensagem passada internamente foi simples: aceitar a nova função ou deixar a companhia.
Em um encontro com empregados no mês passado, o CEO Mark Zuckerberg defendeu a opção de usar o próprio quadro da Meta em vez de terceirizar a função para empresas especializadas em rotulagem de dados. Ele argumentou que, por conhecer bem esse mercado, o novo chief AI officer Alexandr Wang avaliaria que o nível médio de qualificação e inteligência dos funcionários da Meta é superior ao de contratados externos.
A insatisfação, porém, não se limita à Applied AI. Reportagens apontam que mais de 1.600 funcionários já assinaram uma petição contra um programa de monitoramento de cliques e digitação, criado para coletar dados usados no treinamento dos modelos. O ambiente interno estaria tão pesado que o diretor de produto Chris Cox sentiu necessidade de reconhecer publicamente, em uma ligação com equipes, que a fase atual é especialmente difícil.
O comando da nova estrutura de IA aplicada está nas mãos de Maher Saba, executivo com mais de uma década de casa que anteriormente ocupava cargos de liderança na divisão de realidade virtual e aumentada da empresa. A unidade responde ao diretor de tecnologia Andrew Bosworth e, em sua configuração inicial, chegou a concentrar até 50 subordinados diretos por gestor.
Diante da repercussão negativa, Zuckerberg teria enviado um memorando interno admitindo que as mudanças recentes causaram sofrimento e que a empresa cometeu erros que pretende corrigir. No texto, ele reforça a visão de que a Meta quer ser o melhor lugar para que pessoas talentosas possam gerar impacto, uma promessa que hoje é recebida com ceticismo por parte dos times envolvidos com a estratégia de IA.