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Charles River acelera patologia digital com nova geração de IA
Plataforma promete encurtar prazos de laudos, aumentar eficiência em até 30% e reduzir uso de animais em pesquisas
Por Fortfield AI ·
A Charles River Laboratories anunciou a ampliação de sua plataforma de patologia digital, incorporando de forma mais intensa recursos de inteligência artificial ao fluxo de trabalho laboratorial. Segundo a empresa, a iniciativa deve encurtar em pelo menos uma semana os prazos tradicionais de patologia, mantendo a conformidade com as Boas Práticas de Laboratório (GLP).
O sistema passa a integrar um software de gerenciamento de informações de laboratório de histologia, módulos de controle de qualidade automatizados por IA e a revisão digital de lâminas em toda a jornada da amostra, desde a preparação até o laudo do patologista. Desenvolvido em parceria com a Deciphex, o componente de controle de qualidade já identifica imagens fora de foco e artefatos de digitalização, ajudando a evitar retrabalho e atrasos.
A empresa planeja expandir esses recursos com novos módulos: um voltado a artefatos de histologia, previsto para o terceiro trimestre de 2026, e outro focado em verificar a completude de subcompartimentos de órgãos, com lançamento estimado para o primeiro trimestre de 2027. Em paralelo, a Charles River já validou o uso de revisões digitais primárias, que, de acordo com seus dados internos, reduziram em cerca de 20% o tempo de leitura dos casos ao eliminar o envio físico de lâminas de vidro.
Além do controle de qualidade, a companhia está implementando ferramentas de suporte à decisão e detecção de anomalias com IA, que podem elevar a eficiência operacional em mais de 30% quando plenamente adotadas. Esses modelos são treinados sobre uma vasta biblioteca global de imagens patológicas, construída com a colaboração de mais de 150 patologistas e lâminas provenientes de laboratórios de diferentes regiões e plataformas de digitalização.
A Charles River afirma que está estruturando um processo formal de validação desses algoritmos para atender às diretrizes da Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, e ao recém-estabelecido Regulamento Europeu de IA (EU AI Act). O objetivo é garantir que as soluções de inteligência artificial possam ser empregadas em ambientes regulados com segurança jurídica e rastreabilidade.
Um dos destaques da nova plataforma é o uso de Grupos de Controle Virtuais, que reaproveitam dados históricos de lâminas digitais para diminuir o número de animais de controle em estudos pré-clínicos. A iniciativa integra o Projeto de Avanço de Métodos Alternativos da empresa, voltado à redução do uso de animais em pesquisa, sem comprometer a qualidade dos resultados.
A companhia também está implementando o Prima, um sistema integrado de rastreamento e gestão de histologia desenhado para criar um fluxo de trabalho praticamente sem papel. A digitalização de ponta a ponta busca aumentar a transparência sobre o caminho de cada amostra, reduzir erros manuais e facilitar auditorias em estudos regulados.
No campo financeiro, a Charles River, avaliada em aproximadamente 8,6 bilhões de dólares, vê essas melhorias operacionais como parte de sua estratégia para elevar a rentabilidade nos próximos anos. Projeções compiladas pelo InvestingPro apontam expectativa de crescimento do lucro líquido e estimativa de lucro por ação de 11,37 dólares em 2026, mesmo após a companhia ter registrado prejuízo nos últimos 12 meses, e destacam recompras agressivas de ações como sinal de confiança da administração na transformação digital em curso.