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Cemitério da IA: projetos que ficaram pelo caminho revelam os limites do setor
De dispositivos vestíveis a ferramentas corporativas, iniciativas de IA foram encerradas, reformuladas ou perderam espaço para plataformas maiores
Por Fortfield AI ·

A corrida pela inteligência artificial criou produtos ambiciosos, atraiu investimentos bilionários e acelerou a disputa entre empresas de tecnologia. Mas também deixou uma lista crescente de projetos que foram descontinuados, tiveram de mudar de rumo ou não alcançaram o resultado prometido.
Entre os obstáculos mais comuns estão o alto custo de operação, falhas técnicas, preocupações com privacidade, baixa adesão do público e a dificuldade de competir com gigantes que incorporam recursos semelhantes a produtos já consolidados. Um levantamento citado pela TechCrunch aponta que cerca de 42% das iniciativas corporativas de IA acabam abandonadas.
A Relay, startup de automação de fluxos de trabalho com IA, encerrou suas atividades após enfrentar concorrência de empresas como Google e OpenAI. A proposta era simplificar tarefas envolvendo e-mails e rotinas profissionais por meio de agentes autônomos, mas funcionalidades parecidas passaram a ser oferecidas por plataformas maiores.
O caso ilustra um desafio recorrente no mercado: produtos especializados podem perder relevância quando suas principais funções viram parte de um ecossistema mais amplo. Esse movimento também afetou aplicativos independentes ligados à OpenAI, cujos recursos foram absorvidos pelo ChatGPT.
Mesmo uma das empresas mais valiosas do setor enfrentou dificuldades para acertar todos os lançamentos. A tentativa de reorganizar o ChatGPT em uma estrutura mais ampla, com modos separados para conversa, programação e trabalho, gerou críticas de usuários que consideraram a experiência confusa. A companhia retomou a interface tradicional pouco tempo depois.
Outros produtos da empresa tiveram vida curta ou perderam autonomia. O navegador Atlas foi encerrado e teve recursos incorporados ao ChatGPT. O agente Operator seguiu caminho semelhante. Já o Sora, plataforma de compartilhamento de vídeos criados por IA, foi descontinuado em março de 2026, em meio a custos elevados e dificuldades para manter o interesse dos usuários.
A Apple apresentou uma nova geração da Siri como um dos pilares do Apple Intelligence, prometendo uma assistente capaz de interpretar contextos, interagir com aplicativos e executar tarefas com maior autonomia. Porém, o lançamento sofreu sucessivos adiamentos por problemas de engenharia e falhas de funcionamento.
O atraso teve consequências além do produto: a empresa fez um acordo de US$ 250 milhões relacionado à forma como os recursos de IA do iPhone 16 foram divulgados. A versão renovada da Siri começou a chegar ao público em testes e inicialmente foi disponibilizada em inglês.
A Microsoft também encontrou resistência com o Recall, recurso do Windows que registra capturas de tela periódicas para permitir buscas no histórico de uso do computador. Críticos apontaram que a ferramenta poderia armazenar senhas, conversas privadas e dados financeiros. Após adiar o lançamento para reforçar a segurança, a empresa continuou enfrentando questionamentos sobre a proteção das informações registradas.
O Humane AI Pin se tornou um dos exemplos mais conhecidos de frustração com hardware de IA. O dispositivo vestível pretendia oferecer funções inteligentes sem depender de um celular, mas enfrentou críticas por desempenho insuficiente. Um alerta sobre possível risco de incêndio na bateria agravou a situação.
A operação foi encerrada em fevereiro de 2025, e boa parte dos ativos da Humane foi comprada pela HP por US$ 116 milhões. A empresa havia captado cerca de US$ 230 milhões para desenvolver o produto.
Outro aparelho que recebeu grande atenção foi o Rabbit R1. Apesar de vendas iniciais expressivas, avaliações apontaram limitações práticas, desempenho instável e poucas integrações úteis. A empresa continua atualizando o dispositivo e trabalha em um novo projeto de hardware voltado à programação assistida por IA.
A Notion decidiu encerrar o Notion Mail, e-mail com recursos de IA lançado em 2025, após perceber que parte dos usuários recorria a agentes externos para administrar a caixa de entrada. O serviço tem encerramento previsto para setembro de 2026.
Outras startups enfrentaram problemas parecidos. A Huxe, que transformava conteúdos escritos em áudios conversacionais, encerrou as atividades quando grandes plataformas passaram a oferecer recursos semelhantes. A Yupp, que permitia comparar respostas de centenas de modelos de IA, fechou após não encontrar um modelo de produto sustentável.
Esses casos reforçam que o mercado de IA não é definido apenas por tecnologia avançada. Para sobreviver, uma solução precisa resolver um problema real, conquistar usuários com consistência, controlar custos e manter uma posição clara diante da concorrência.