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Aposta cautelosa da Apple em IA começa a parecer um bom negócio

Com o novo Siri turbinado por IA e parceria com o Google Gemini, a Apple tenta provar que não está perdendo a corrida da inteligência artificial

Por Fortfield AI ·

Aposta cautelosa da Apple em IA começa a parecer um bom negócio

Durante anos, a Apple foi vista como atrasada na corrida da inteligência artificial, criticada por não ter uma estratégia clara e por supostamente colocar em risco a atratividade do iPhone frente a rivais mais agressivos em IA. Agora, com o lançamento do Siri AI, apresentado como o maior pacote de recursos de IA da sua história, a empresa tenta virar essa narrativa ao integrar automação avançada diretamente no coração dos seus sistemas.

A questão deixa de ser se a Apple está “ganhando” ou “perdendo” a corrida de IA, e passa a ser se os usuários vão de fato adotar essas novidades e se isso se traduzirá em mais engajamento e vendas.

O Siri ganha novas capacidades automatizadas alimentadas por um acordo com o Google Gemini, que passa a fornecer informações atualizadas em tempo quase real diretamente para os dispositivos Apple. O assistente agora consegue vasculhar emails e histórico de mensagens para encontrar dados relevantes, sugerir ações úteis e usar consciência de tela para entender o que está aberto e complementar o contexto.

Essas conversas com o Siri podem ser retomadas, já que o sistema passa a armazenar histórico de chat, funcionando de maneira mais próxima dos grandes chatbots de IA disponíveis no mercado. Como tudo é integrado ao nível do sistema operacional e sincronizado entre iPhone, iPad e outros dispositivos, a Apple reforça o apelo do seu ecossistema e torna a vida mais difícil para apps concorrentes que dependem da App Store para chegar ao usuário.

Durante o anúncio, Craig Federighi, vice‑presidente sênior de engenharia de software da Apple, enfatizou que muitas empresas parecem perseguir IA apenas pela tecnologia em si, sem considerar o impacto real sobre as pessoas. Ele reforçou que a missão da Apple é transformar tecnologia avançada em produtos intuitivos e úteis para todos, uma mensagem desenhada tanto para rebater críticas de atraso quanto para dialogar com a crescente desconfiança do público em relação à IA.

A empresa procura se posicionar como o player “do lado do usuário” em um momento em que muitos temem que a IA roube empregos, aumente a vigilância e gere cansaço mental. Ao associar suas novidades de IA a conveniência, controle e integração com o hardware, a Apple tenta se diferenciar de concorrentes que ainda não deixaram claro como seus investimentos massivos em IA se conectam à experiência cotidiana das pessoas.

Enquanto outros gigantes de tecnologia se comprometem com centenas de bilhões de dólares em capex para sustentar a onda de IA, a Apple planeja cerca de 14 bilhões de dólares em investimentos deste tipo neste ano, bem abaixo do montante combinado de rivais que se aproxima de 900 bilhões. Mesmo assim, a companhia vem registrando recordes de vendas do iPhone, mostrando que, até agora, não precisou de uma estratégia radical de IA para manter a máquina de receita girando.

Além disso, a Apple lucra com o próprio boom de IA ao funcionar como “cobradora de pedágio” via sua App Store, onde empresas de IA pagam taxas para distribuir seus aplicativos no iOS. O resultado é um modelo em que a empresa gasta relativamente menos com infraestrutura de IA em comparação aos pares, mas captura uma fatia relevante da receita gerada pelo setor.

A abordagem cadenciada da Apple contrasta com empresas como OpenAI, que lança novidades em ritmo frenético, mas ainda oscila entre focar no consumidor final ou em soluções corporativas. Meta, por sua vez, injeta quantias enormes em IA sem deixar totalmente claro como essa aposta se encaixa de maneira direta em seu negócio principal de publicidade.

À medida que crescem as dúvidas sobre a lucratividade real da IA e sobre quantos desses produtos entregam valor concreto no dia a dia, a estratégia mais contida da Apple começa a parecer financeiramente mais sólida. Em vez de correr para “ganhar a corrida”, a empresa prefere dar passos calculados, integrando IA de forma incremental à experiência do iPhone e reforçando seu ecossistema fechado.

O novo Siri AI só deve chegar ao público em versão beta no fim do ano, então qualquer julgamento definitivo sobre sua utilidade ainda é prematuro. O sucesso dependerá de o quanto essas funcionalidades vão realmente entrar na rotina dos usuários e se serão percebidas como um diferencial relevante em relação a outros aplicativos de IA já disponíveis na App Store.

Ainda assim, a Apple já cumpre um objetivo imediato: mostrar aos investidores e ao mercado que tem uma história consistente de IA para contar, alinhada ao seu foco em hardware e experiência integrada. Mesmo que isso não seja “vencer a corrida da IA” pelos critérios tradicionais, pode ser a estratégia mais inteligente para o tipo de maratona que a empresa quer correr.