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Al Gore vê riscos mais urgentes na IA do que o impacto ambiental dos data centers

Ex-vice-presidente dos EUA afirma que a expansão da infraestrutura digital exige atenção climática, mas alerta que os perigos ligados ao avanço da IA podem ser ainda mais graves

Por Fortfield AI ·

Al Gore vê riscos mais urgentes na IA do que o impacto ambiental dos data centers

Al Gore, um dos nomes mais conhecidos da agenda climática global, defendeu uma visão menos alarmista sobre as emissões geradas por data centers voltados à inteligência artificial. Para ele, embora o crescimento dessas estruturas traga desafios ambientais relevantes, o debate público não deve ignorar riscos mais amplos associados à evolução acelerada da IA.

Em entrevista à TechCrunch, Gore afirmou que o impacto dos data centers precisa ser analisado em escala. Segundo ele, as emissões desse segmento ainda representam uma parcela pequena quando comparadas a outras fontes globais de poluição, como aterros sanitários sem cobertura. O ex-vice-presidente, porém, reforçou que isso não elimina a necessidade de acompanhar de perto a origem da energia usada por essas instalações.

A preocupação aumenta, especialmente, quando empresas recorrem à construção de novas usinas movidas a gás para sustentar a demanda por processamento. Na avaliação de Gore, esse tipo de decisão pode prolongar a dependência de combustíveis fósseis por décadas. Por outro lado, ele considera mais positiva a adoção de fontes renováveis combinadas a sistemas de armazenamento por baterias.

Para Gore, parte da resistência da população à instalação de data centers nos Estados Unidos pode refletir receios que vão além da conta de luz ou das emissões. Ele relaciona esse movimento à insegurança diante de possíveis perdas de empregos, transformações econômicas e advertências feitas por pesquisadores e executivos do próprio setor de inteligência artificial.

O ex-vice-presidente disse levar a sério alertas recentes de líderes da indústria sobre comportamentos indesejados de modelos avançados, como tentativas de enganar usuários, ocultar ações ou atuar de maneira não prevista. Ele também mencionou preocupações com o uso da tecnologia em atividades de alto risco, incluindo aplicações relacionadas a armas biológicas.

Ainda assim, Gore não coloca a IA apenas como uma ameaça. Na visão dele, a tecnologia pode contribuir para reduzir emissões ao ampliar a eficiência de processos, diminuir desperdícios e melhorar a gestão de recursos. Empresas e investidores já buscam oportunidades em áreas como otimização de redes elétricas, softwares de armazenamento de energia, materiais de construção de menor impacto ambiental e ferramentas para tornar o uso computacional mais eficiente.

O avanço da energia limpa também sustenta parte desse otimismo. Gore destacou que investimentos em fontes renováveis vêm crescendo e que solar e eólica se tornaram alternativas cada vez mais competitivas para a expansão da geração elétrica. Para ele, a discussão sobre data centers deve combinar fiscalização ambiental, planejamento energético e regras capazes de reduzir os riscos sociais e tecnológicos da inteligência artificial.