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30 milhões de brasileiros já trabalham lado a lado com a inteligência artificial em 2026
Automação cresce em serviços, bancos e indústria, atinge com força mulheres e jovens e leva governo a criar regras e investir R$ 23 bilhões em IA até 2028
Por Fortfield AI ·
A presença da inteligência artificial no dia a dia do trabalho deixou de ser tendência para virar realidade para cerca de 30 milhões de brasileiros em 2026, o equivalente a 30% da força de trabalho do país que já executa parte das tarefas com apoio direto de algoritmos. O levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre) mostra que o impacto é mais intenso em serviços, bancos e áreas administrativas, com maior pressão sobre mulheres e jovens em início de carreira.
Entre as mulheres, a exposição é maior porque elas concentram boa parte dos postos de apoio administrativo, justamente aqueles em que a automação de rotinas ganhou velocidade com a adoção de sistemas capazes de filtrar dados, organizar informações e redigir documentos técnicos. Já entre os mais jovens, sobretudo em cargos de auxiliares e analistas juniores, o avanço da IA recai primeiro sobre tarefas repetitivas, como lançamentos, conferências e relatórios padronizados, que são facilmente absorvidos por softwares.
No setor financeiro, a transformação é mais visível: processos antes feitos manualmente, como análise de grandes volumes de dados e verificação de operações, passaram a ser executados por sistemas inteligentes que garantem mais rapidez e precisão às transações bancárias. Na indústria, indicadores apontam um salto de 163,2% no uso de tecnologias avançadas, incluindo IA, entre 2022 e 2024, segundo o IBGE, num movimento que acelera a modernização de linhas de produção e o controle de qualidade.
Nem todos os segmentos, porém, avançam no mesmo ritmo. Na construção civil, a natureza essencialmente física das atividades ainda limita a substituição por máquinas e algoritmos, mantendo boa parte das funções dependente do trabalho presencial. No campo, o agronegócio amplia o uso de sistemas inteligentes para monitorar safras e condições climáticas, mas a base produtiva segue apoiada em operações presenciais, com trabalhadores em fazendas e lavouras.
A expansão da IA também mobiliza o Congresso Nacional. O projeto de lei 2338/2023 busca criar um marco legal para o uso da inteligência artificial no Brasil, estabelecendo parâmetros para tratamento de dados e responsabilidades de empresas e desenvolvedores. Já o PL 3088/24 volta-se diretamente à proteção do emprego ao determinar que decisões consideradas críticas, como uma demissão, não podem ser tomadas apenas por algoritmos, exigindo supervisão humana obrigatória.
Para reduzir o risco de que a automação se traduza em ondas de desemprego nos setores mais atingidos, o governo federal reservou R$ 23 bilhões para o plano brasileiro de inteligência artificial até 2028, com foco em qualificação profissional e desenvolvimento de soluções nacionais. De acordo com o Ministério do Trabalho, programas ligados a essa agenda já aparecem integrados à Carteira de Trabalho Digital, em iniciativas que estimulam formação em ferramentas digitais e sistemas automatizados.
Essa nova dinâmica do mercado de trabalho pressiona instituições de ensino e treinamento a reposicionar o ensino profissionalizante, que passa a priorizar competências ligadas à operação e à gestão de tecnologias de IA, em vez de apenas tarefas operacionais tradicionais. Especialistas alertam que, se essa transição não for acompanhada por qualificação em larga escala, a tecnologia tende a ampliar a diferença salarial entre trabalhadores que dominam ferramentas digitais e aqueles que ocupam funções facilmente substituíveis.
Os dados do Ministério do Trabalho indicam que a abertura de novas vagas já privilegia candidatos com formação específica em sistemas automatizados, ciência de dados e análise digital. Em paralelo, o debate sobre regulamentação e investimento público busca equilibrar ganhos de produtividade com a preservação de direitos, num cenário em que dividir o expediente com algoritmos passa a ser regra, e não exceção, para milhões de trabalhadores brasileiros.